Relatórios

Relatório do Evento - Chokepoints e Geopolítica: Segurança dos Estreitos Marítimos Estratégicos e a Fragilidade das Cadeias Globais de Commodities

  • 25 junho 2026

O fechamento do Estreito de Ormuz em março de 2026, desencadeado pela guerra no Golfo Pérsico, expôs um fato que a geopolítica contemporânea reconfirma: cerca de 80% do comércio mundial ocorre pelo mar e depende de um pequeno conjunto de passagens críticas: Ormuz, Bab-el-Mandeb, Suez, Malaca, Bósforo, Gibraltar e o Canal do Panamá.


Esses gargalos, porém, não são apenas artérias comerciais; são zonas de disputa geopolítica, ladeadas de bases militares, atravessadas por rivalidades entre grandes potências e permanentemente sujeitas a lógicas de contenção e projeção de força. Quando um desses pontos é perturbado, os efeitos se propagam em cascata por mercados de energia, alimentos e insumos em todo o planeta, e a linha entre crise comercial e crise de segurança se dissolve rapidamente. Para o Brasil, maior exportador de commodities agropecuárias do mundo e, ao mesmo tempo, o maior importador global de fertilizantes, entender essa geografia e essas dinâmicas é uma questão estratégica nacional.

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O fechamento do Estreito de Ormuz em março de 2026, desencadeado pela guerra no Golfo Pérsico, expôs um fato que a geopolítica contemporânea reconfirma: cerca de 80% do comércio mundial ocorre pelo mar e depende de um pequeno conjunto de passagens críticas: Ormuz, Bab-el-Mandeb, Suez, Malaca, Bósforo, Gibraltar e o Canal do Panamá.


Esses gargalos, porém, não são apenas artérias comerciais; são zonas de disputa geopolítica, ladeadas de bases militares, atravessadas por rivalidades entre grandes potências e permanentemente sujeitas a lógicas de contenção e projeção de força. Quando um desses pontos é perturbado, os efeitos se propagam em cascata por mercados de energia, alimentos e insumos em todo o planeta, e a linha entre crise comercial e crise de segurança se dissolve rapidamente. Para o Brasil, maior exportador de commodities agropecuárias do mundo e, ao mesmo tempo, o maior importador global de fertilizantes, entender essa geografia e essas dinâmicas é uma questão estratégica nacional.