Como parte da programação da II Conferência da Rede de Centros de Pensamento das Américas (CEPAS), o economista e professor da Universidade Columbia, Jeffrey Sachs, conduziu a palestra “América Latina e o mundo em 2050”, na qual analisou tendências econômicas, demográficas e tecnológicas globais até 2050 e seus impactos sobre políticas públicas, estratégias de desenvolvimento sustentável e os desafios de inserção internacional da América Latina.
Sachs argumentou que a região atravessa um ponto de inflexão histórico, marcado por décadas de desempenho econômico abaixo do potencial e pela necessidade de reposicionar estrategicamente a América Latina em um cenário internacional em rápida transformação.
“O mundo está sendo remodelado por profundas forças geopolíticas, tecnológicas, demográficas e ambientais. Está surgindo uma ordem multipolar — China, Índia, ASEAN, África —, paralelamente à renovada pressão hemisférica dos EUA sob o governo Trump”, afirmou.
Ao apresentar um diagnóstico sobre os entraves ao desenvolvimento regional, o economista apontou fatores como baixas taxas de investimento, volatilidade macroeconômica e política, baixa capacidade de inovação e ausência de uma estratégia coordenada de transformação produtiva. Sachs destacou ainda que a América Latina conta com apenas dois dos cem principais polos globais de inovação identificados pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO) em 2025 — São Paulo e Cidade do México —, o que considera uma das principais fragilidades estruturais da região.
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Na sua visão, a agenda estratégica da América Latina deve priorizar a autonomia estratégica, educação, tecnologia, infraestrutura verde e digital e diversificação de parcerias. Entre os eixos centrais para a próxima década, Sachs destacou quatro prioridades centrais para a região:
Educação universal de alta qualidade, formação técnica e profissionalizante, além da expansão do ensino superior com capacidade de pesquisa.
Expansão de energia solar e hidrelétrica, hidrogênio verde, mobilidade elétrica e sistemas alimentares sustentáveis, aproveitando a excepcional dotação de recursos naturais da América Latina.
Ampliação da infraestrutura 5G/6G, desenvolvimento de infraestrutura pública digital, fortalecimento da capacidade em inteligência artificial e investimentos em centros de dados (data centers).
Maior integração regional estratégica e coordenação de posições comuns em comércio e tecnologia.
Jeffrey Sachs também analisou os impactos do retorno de uma política externa mais assertiva dos Estados Unidos no hemisfério, mencionando o uso de tarifas comerciais, sanções financeiras e disputas tecnológicas como instrumentos de pressão estratégica sobre a região, especialmente no contexto da competição com a China.
Ao concluir sua palestra, reforçou a importância de espaços de diálogo e formulação estratégica, como a Rede CEPAS, para a construção de respostas coletivas.
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Créditos: Mapa Fotografia